Hoje é aniversário de São Paulo. A data, mais do que em outros dias, me faz pensar sobre o quanto essa cidade nos enlouquece! Eu - paulistana de pai, mãe e vizinhança - me enquadro em tudo de ruim que, na minha modestíssima opinião, o paulistano tem.
A começar pelo mau-humor típico daquele cidadão que não tem tempo para nada. Manter o círculo de amizades na ativa, em São Paulo, é tarefa que exige tempo, dinheiro e disposição. Da hora em que foi combinada, até o momento de realmente acontecer a balada, passo por aquela sensação de quem está deixando o aconchego do lar para encarar 50 minutos de aula de natação! Começar é o problema. Depois da aula/balada, porém, a alegria e leveza são infinitas.
São Paulo é uma cidade que dá preguiça. Tem muitos passeios divertidos, mas nunca há lugar para estacionar o carro. Tem metrô, mas nunca há uma estação no lugar aonde se deseja ir. Para se percorrerem os cerca de 7 quilômetros que separam a Paulista do bairro da Saúde é necessário enfrentar uma espera de 50 minutos pela lotação que leva até o metrô e fazer a baldeação na Ana Rosa para descer no Trianon. Só aí já se foram 1h30 da sua vida. Isso porque estou falando em termos de passeio.
Fico imaginando as pessoas que trabalham utilizando-se de transporte público. Já fiz parte disso. O caminho supracitado - Paulista/Saúde, ida e volta - fez parte de meu cotidiano durante mais de um ano. E vou dizer: tira qualquer um do sério! Agora, imaginem as pessoas que moram em Parelheiros, em Engenheiro Marsilac, em Jardim Nome de Mulher e trabalham no centro... Ficam doidas, claro! Daí para começar a beber e fazer merda é um pulinho!
Não é à toa que os índices de criminalidade e qualidade de vida na periferia seguem padrões inversamente proporcinais na capital. Aqueles, altíssimos, enquanto estes muito baixos, rastejando como vermes.
A São Paulo dos 55 mil restaurantes, 6 mil salas de cinema, 2 mil teatros e os coitadinhos dos museus concentra as melhores opções na região central. Além disso, tudo custa o olho da cara. Shows, espetáculos teatrais, cinemas, pipocas de cinemas (R$ 8,00, imagina!) custam uma pequena fortuna para quem passou no mínimo 12 horas de seu dia trabalhando que nem uma formiga. E quando se tem algum dinheiro não se tem tempo e vice-versa.
São Paulo é muito legal na teoria, mas na prática, haja boa vontade...
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