terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Estranheza

Devo dizer uma coisa: esse fim de ano está estranho! Os shoppings não estão lotados, o trânsito não está mais infernal que o de costume, os panetones só chegaram aos supermercados em novembro e até agora eu só recebi um email de boas festas! E o Natal já é na semana que vem!!!
Será que o espírito natalino está de férias?
Sinceramente espero que sim. E indeterminadas. Acho Natal um saco! Não é só porque não sou muito cristã (qualquer dia explico isso direito), mas é que essa onda de compaixão e "bom-samaritanismo" que tem data e hora para começar e para acabar me deixa um pouco triste com a humanidade.
A noite de Natal, então, é para mim uma tortura - amenizada só e unicamente pelo peru da minha mãe. A cidade fica vazia e tomada daquela aura familiar que está longe de povoar o meu cotidiano. A noite de Natal é o momento em que todos os problemas de família, para os quais você passou o ano todo fechando os olhos, desabam em sua cabeça como latas de atum da prateleira do mercado. Eu não consigo disfarçar o mau humor. É a única vez do ano em que eu uso relógio (vai que o acessório ajuda a acelerar o tempo, né?).
Acontece que esse ano a minha má vontade com a data está um pouco maior que o de costume. Perdi um grande, grandissíssimo, o maior, amigo no início do semestre. Esse fato me tirou do eixo de um jeito que eu nem sei explicar. E essa é a primeira vez que toco no assunto desde aquele 28 de julho. Parece - e talvez seja mesmo - chavão, mas muita coisa em mim mudou depois disso. E não estou falando de ter ido mal na faculdade durante todo o semestre, ou de chorar quando lembro daquela noite geladíssima. Estou falando de pontos de vista, de perspectivas, cuidados e prioridades mesmo.
É claro que também aconteceram coisas boas durante o ano (fiz uma viagem com meu marido que foi deliciosa, linda, refrescante e necessária), mas, colocando tudo na balança o prato onde está aquela perda ainda fica mais caído.
O choque foi tão grande, mas tão grande, que eu nunca estive tão esperançosa e animada para romper o ano. Na praia, como deve ser, para espantar os ebós. Tenho a impressão de que o ano que vem será bom como nenhum outro! Para todos nós!
Tem que ser, senão não faz sentido.

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