quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Fantasia

Todo fim de tarde, ao voltar da USP pela Atílio Inocentti, paro no farol do cruzamento com a Juscelino. Por uma estranha coincidência, sempre pego a pole nessa esquina. Logo à minha esquerda fica o "bar do Juarez" - aquele do chopp com picanha no rechaud.
Nesse horário, estou sempre - invariavelmente - cansada. Cansada do tipo sem fôlego! Sabe daquele jeito, que pede um chopp? Um choppinho que já me deixaria mais feliz, que me faria crer que é isso mesmo, que a vida vale a pena, que isso tudo é uma fase da qual eu vou até ter saudades um dia.
Vida de estudante, a essa altura do campeonato, não é nada mole. E sei que, ao chegar em casa, tudo piora. Há cama a ser arrumada, louça a ser lavada, lanche a ser providenciado, banho a ser tomado e capítulos de livros a serem lidos. Geralmente, faço tudo, exceto a louça, que vai acumulando, acumulando até alcançar o limite da tolerância (leia-se altura da torneira).
- Ai, ai! Um chopp ia cair bem!
O tempo do semáforo é longo, então, eu sempre entro em devaneio. Com o cotovelo para fora da janela do carro (como Pedro e Bino em sua boléia) começo a organizar mentalmente o cronograma dos afazeres domésticos da noite, sonhando com o dia em que o garçon do Juarez, como se fosse um flanelinha, um pai de família desempregado vendendo balas no farol, me trará, ali, um chopp geladinho, para ser degustado enquanto aguardo o verde. A perfeição dessa cena é tamanha, que o dinheiro para pagar o garçon, juro, já está até separado no cinzeirinho.

Nenhum comentário: