sexta-feira, 30 de novembro de 2007

A Cláris

Tenho essa amiga, a Cláris, que também é amiga de infância. Digo "também" porque já a citei por aqui, em um texto que falava das amigas Marla e Clarice (infelizmente não sei colocar aqui o link para esse texto, que se chama, se não me engano, "Uma historinha").
A Cláris é daquele tipo de gente que seria insuportável se não fosse tão encantadora.
Sabe aquela pessoa que sempre tem razão? Ela sempre tá certa, a danada! Mesmo! E isso não é uma crítica. É uma constatação!
A mulher entende de tudo um tanto. Manja de futebol, de cosméticos, escreve como ninguém e cultiva amigos com o cuidado de um jardineiro. Odeia novela, faz arranjos de flores e exige pontualidade e atenção. É empresária de sucesso e, disso, participei nos primeiros cinco minutos (historinha para outro post).
Eu, que já a ouvia com atenção redobrada na escola, passei a me curvar diante de suas opiniões depois que ficamos adultas. Até o momento em que....
A Cláris entrou numas de kardek-budo-noyê-ciento-xinto-cristianismo. Um sincretismo religioso bonito de ver, porém, para mim, um pouco assustador e um tanto incompreensível. Ela tem visto coisas, tido sonhos e recebido umas tais mensagens do além que a fazem, aparentemente, muito bem.
Euzinha, estava preparada para tudo, menos para encarar uma amiga médium. Eu que tenho um pezinho ali no ateísmo, que até acho fofinhos os santinhos católicos e as entidades do candomblé (porém sem nunca ter feito oferenda ou oração), e que sou sub-secretária do Movimento do Orgulho Pagão, nunca presenciei fenômenos espirituais em minha família (a não ser que se possa considerar mediunidade ouvir o grito agonizante de uma barata atingida pela face mortal de um chinelo havaiana - essa história bizarra aconteceu com a minha mãe e ela jura que é verdade, chegando a se emocionar quando conta: "Aquela barata gritou! Eu tenho certeza!").
Agora ando com um pouco de medo. Porque, se a Cláris está falando que essas coisas de alma e espírito existem, deve ser verdade! A mulher nunca erra! E se é verdade, os caras devem estar de olho em mim... Rindo da minha cara e dizendo:
- Trouxa! Deixa só ela ver quando chegar a vez de vir para cá! Vai levar um trote daqueles a bixete tonta!

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